quarta-feira, 13 de abril de 2011

Vice-governador é vaiado durante abertura do Fórum da Liberdade

Beto Grill teve que enfrentar uma situação constrangedora na noite de segunda-feira

Representando o governo gaúcho na cerimônia de abertura do XXIV Fórum da Liberdade, o vice-governador Beto Grill teve que enfrentar uma situação constrangedora na noite desta segunda-feira (11).


Durante seu discurso, o vice-governador foi brindado por vaias vindas de parte da audiência, que revoltou-se com citações aos oito anos de governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De maneira francamente hostil, parte dos presentes repetiu o protesto em outros pontos do breve discurso de Beto Grill.

O ciclo de debates, que tem como tema “Liberdade na Era Digital”, estende-se até a próxima terça-feira (12).

Além de Beto Grill, a cerimônia de abertura contou com a presença do prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), além dos presidentes da Assembleia Legislativa, Adão Villaverde, e da Câmara Municipal, Sofia Cavedon, ambos do PT.

Outras personalidades presentes foram o procurador-geral do RS, Eduardo de Lima Veiga; o presidente da OAB RS, Cláudio Lamachia; José Paulo Dornelles Cairoli, presidente da Federasul; e representantes de várias entidades ligadas ao empresariado gaúcho.

Em nome do Instituto de Estudos Empresariais (IEE), que organizou o evento, compareceu o presidente Felipe Quintana. Desde o início, o clima não era dos mais favoráveis para Beto Grill e os demais políticos identificados com a esquerda.

Ao ter seu nome chamado para compor a mesa, o vice-governador foi recebido com um desconfortável silêncio, que levou alguns segundos para ser rompido por uma tímida salva de palmas. A própria presença de Beto Grill era de certo modo uma surpresa, já que a previsão era de que o governador Tarso Genro comparecesse.

No entanto, o governador – que declarou durante as atividades do Fórum da Igualdade que aquele era “o verdadeiro fórum da liberdade” – optou por não se expor, deixando para seu vice a tarefa de encarar uma plateia de visão política bem distinta da sua.

Paulo Uebel: governo de Cuba cometeu crimes contra humanidade

Durante as manifestações anteriores ao discurso do vice-governador, o clima contrário foi ganhando intensidade ainda maior.

Ao receber o Prêmio Libertas, que homenageia empreendedores que se destacam dentro dos princípios de economia de mercado, o diretor-executivo do Instituto Millenium, Paulo Uebel, foi bastante firme nas críticas aos regimes autoritários – reservando palavras especialmente duras ao governo cubano.

Citando uma longa lista de ditadores, que ia de Hitler a Stalin, concluiu lembrando os irmãos Castro, frisando que “não dá para concordar com um e discordar dos demais”.

“Mesmo que tenham trazido bons indicadores sociais, não podem ser absolvidos dos crimes que cometeram contra a humanidade”, disse Uebel. “Baixar os olhos para isso é ser cúmplice desses crimes. É fácil amar a liberdade, difícil é amar a liberdade do próximo”, acrescentou, debaixo de aplausos.

A seguir, foi exibido um vídeo da jornalista cubana Yoani Sánchez, agraciada com o Prêmio Liberdade de Imprensa. A cubana ganhou fama internacional com o blog Generación Y, no qual critica os problemas sociais e as restrições impostas pelo governo do país.

Na gravação, Yoani Sánchez agradeceu o prêmio e disse que seus esforços não se restringem ao ciberespaço. “A posição no mundo virtual nos trouxe ao ativismo real, na Cuba das ruas, na Cuba de verdade”, afirmou.

“Hoje em dia, silenciar um blog (em Cuba) é muito complicado, já que escancararia de vez o autoritarismo do regime. Somos cidadãos mais conscientes dos direitos que nos faltam, estamos arrancando as máscaras da ditadura”, completou.

Ao citar “8 anos de progresso”, vice-governador ouviu vaias

Foi debaixo de semelhante clima contrário que Beto Grill fez seu discurso, logo depois do vídeo de Yoani Sánchez. Os primeiros sinais de inconformidade de parte do público surgiram logo no começo, quando o vice-governador cumprimentou o prefeito José Fortunati chamando-o de “companheiro”.

No decorrer do discurso, a insatisfação de um grupo de pessoas, ligado a alguns dos empresários presentes, foi ficando ainda mais claro. Ao dizer que esperava “contar com todos” para “mudar o rumo” do RS, Beto Grill não perdeu a chance.

“No Brasil, depois de um golpe militar que não nos permitiu liberdade de expressão, tivemos que lidar com um período de administrações equivocadas. Felizmente, o Brasil mudou de rota, e está há 8 anos no caminho do progresso”, acentuou. A reação foi ruidosa. Vaias tomaram conta do salão, somadas a alguns gritos de desagrado.

Beto Grill fez uma breve pausa, mas continuou seu discurso sem responder diretamente à manifestação. “Atualmente, investidores de todo mundo procuram o Brasil”, continuou. “No Rio Grande do Sul, todos podem ter certeza que um Estado forte e atuante estará ao lado dos empreendedores”, disse o vice-governador, debaixo de novas vaias.

A última demonstração de hostilidade foi no encerramento do discurso, quando Beto Grill pediu a união do governo estadual e da iniciativa privada para melhorar os resultados do desenvolvimento do RS. Enquanto o grupo mais indignado manteve os protestos, o restante dos presentes cumpriu os aplausos protocolares. Beto Grill foi embora logo em seguida, sem dar declarações.

Integrantes do Terra e do Buscapé discutem oportunidades na internet

Na continuação dos debates, falaram Romero Rodrigues, fundador do site de pesquisa de preços Buscapé, e Paulo Castro, diretor-geral do portal Terra. Sob a mediação de Carlos Alberto Sandenberg, ambos discutiram o crescimento do uso de computadores e da internet no Brasil, analisando as possibilidades que essa expansão traz para investidores e empreendedores.

Entre outras coisas, os debatedores lamentaram a alta carga tributária do Brasil, que veem como uma barreira que dificulta uma melhor remuneração e desencoraja o investimento em novos talentos. Além disso, Romero Rodrigues questionou a visão que diz que o consumo de informações pela internet tende à gratuidade, uma vez que as pessoas não estariam dispostas a comprar arquivos virtuais de música ou vídeo.

“Eu vejo que o internauta brasileiro está disposto a comprar serviços de qualidade”, disse o criador do Buscapé. “Não acredito que o consumidor não queira pagar, o que falta a ele é orientação sobre onde encontrar o que busca e como fazer o pagamento”, concluiu.

*Fonte: FETRAFI-RS/ Sul21

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