Assunto foi debatido no Seminário: Quando o trabalho faz adoecer. Realizado dia 14 pelo Sindicato de Caxias
Com a presença de Maria da Graça Jacques, psicóloga com larga experiência na área de saúde do trabalhador, Stelamaris Zanatta, assessora em psicologia do Sindicato, Jacéia Netz, assessora em Saúde do Trabalhador da Fetrafi-RS e do SindBancários, a relação entre trabalho e o adoecimento foi debatido por mais de duas horas. Também estiveram presentes o diretor da Fetrafi-RS, Amaro de Souza, e diversos dirigentes de sindicatos de trabalhadores de Caxias do Sul.
Segundo Maria da Graça Jacques, o trabalho é um atributo valorativo dos indivíduos, pois nos apresentamos enquanto trabalhadores na sociedade. “É uma categoria constitutiva da nossa identidade psicológica, um fator valorativo e mediador de integração e inserção social”, afirma. Então, fatores ligados ao trabalho podem desencadear o sofrimento mental e as doenças psíquicas.
O primeiro estudo que relacionou doença mental ao trabalho foi ainda em 1700, com Ramazzini, que pesquisou o sofrimento psíquico de escriturários e tipógrafos em função da rapidez, atenção e responsabilidades que lhes eram exigidos.
Porém, mesmo após tanto tempo, a sociedade nem sempre reconhece a ligação entre o trabalho e o surgimento das doenças psíquicas, mantendo a ideia de que são apenas os fatores individuais que proporcionam o adoecimento. Desta forma, o trabalhador acaba sendo responsabilizado pela sua doença. “A concepção corrente ainda é de que o trabalhador que adoece é fraco”, afirma Jacéia Netz.
Maria da Graça vai além. “Individualizamos e culpamos a pessoa pelo adoecimento. E esta é uma estratégia criada pelo grupo para negar o adoecimento. Desta forma, dizemos que o adoecimento foi em função de fatores pessoais e não das condições de trabalho”, afirma.
“Cada um de nós tem um histórico que interage com o trabalho. Não existe nenhum percentual probabilístico que dirá o quanto foi o trabalho ou o histórico pessoal que proporcionou o adoecimento”, diz Maria da Graça Jacques. Maria ainda define o sofrimento psíquico como a vivência intermediária entre a saúde e a doença mental.
A assessora em Saúde do Trabalhador da Fetrafi-RS e do SindBancários também trouxe para o debate a importância do movimento sindical enfocar o assunto e qualificar seus dirigentes e assessores quanto ao tema. “O outro lado é muito mais forte e organizado. Precisamos nos especializar”, disse.
Segundo Jacéia, os banqueiros dispõem de profissionais extremamente qualificados que estudam e implementam técnicas e formas de gestão buscando a produtividade, em detrimento da saúde do trabalhador, e pior, com consciência disso. Jacéia relatou um fato, ocorrido em um encontro sobre saúde realizado por uma patronal, quando um especialista afirmou que os empregados deveriam trabalhar com o antidepressivo sobre a mesa e que atualmente este seria um instrumento de trabalho, tão fundamental quanto o computador.
Também presente no encontro, Amaro de Souza, diretor da Federação dos Trabalhadores no Ramo Financeiro do RS (Fetrafi-RS) ressaltou a importância da denúncia contra os atos de violência e assédio moral nos locais de trabalho. “Conclamamos os bancários a denunciarem os atos de violência psicológica ou outro ataque à saúde dos bancários, pois só assim teremos êxito nesta campanha”.
Agregar conhecimento sobre os problemas cotidianos no local de trabalho foi um dos objetivos do encontro. “É justamente no trabalho onde construímos grande parte de nossas relações sociais, onde muitas vezes fazemos nossos amigos e encontramos nossos parceiros afetivos”, afirma Vilmar José Castagna, coordenador da Secretaria de Saúde e Relações do Trabalho do Sindicato. “O local de trabalho deveria ser um lugar de realização, mas atualmente, não vemos mais isso, e sim, justamente o contrário”, afirma. Para Vilmar, com o acirramento da competitividade, muitas vezes encaramos nossos colegas como inimigos, destruindo nossas relações afetivas e gerando sofrimento psíquico.
*Karine Endres - MTb 12.764 / Assessoria de Comunicação Bancax
Fonte: Site Fetrafi-RS
http://www.fetrafirs.org.br/noticias.php?id=1387
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